No dia 12 de agosto de 2025, Manaus sediou o Fórum de Melhoria do Ideb: Educação com Ferramentas Tecnológicas, promovido pela Fundação Muraki, no auditório da Escola de Enfermagem da Ufam. O evento reuniu gestores, especialistas e educadores de diferentes municípios para discutir práticas, desafios e soluções voltadas à elevação dos indicadores da educação básica, com ênfase no uso de tecnologias digitais, plataformas de avaliação e inteligência artificial como aliados estratégicos.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), criado em 2007 pelo Inep, combina taxas de aprovação com o desempenho dos estudantes nas avaliações nacionais. O próximo ciclo está previsto para este ano, no entanto, a divulgação dos resultados ocorrerá apenas em 2026. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que serve de base para o cálculo do Ideb, será aplicado entre 20 e 31 de outubro de 2025, com os resultados preliminares sendo divulgados entre 6 e 10 de julho de 2026.
O Ideb é calculado a partir de dois componentes principais: a taxa de aprovação escolar e o desempenho dos alunos em provas de Língua Portuguesa e Matemática. Essas provas fazem parte do Saeb, que será aplicado em 2025 para estudantes do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental e das 3ª e 4ª séries do Ensino Médio. Além disso, haverá aplicação amostral para estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental e questionários específicos para professores, diretores, secretários municipais e familiares dos alunos.
É importante destacar que, embora o ciclo de 2025 esteja em andamento, o formato atual do Ideb será mantido. Mudanças significativas no indicador estão sendo discutidas e, caso implementadas, devem ser aplicadas a partir do Ideb de 2027. Para o diretor executivo da Fundação Muraki, Fernando Moreira Jr., esse debate vai além das estatísticas:
“Discutir o Ideb é pensar em como garantir mais oportunidades para nossas crianças e jovens. A melhoria desses índices não é apenas estatística, mas reflete no futuro de cada estudante.”
Nos últimos anos, Manaus alcançou avanços expressivos. Entre 2021 e 2023, o Ideb nos anos iniciais do ensino fundamental saltou de 5,5 para 6,2, superando capitais como Rio de Janeiro, Fortaleza, Belo Horizonte e Salvador. O resultado também se estendeu às 84 escolas rurais da rede, fortalecidas por estratégias como educação em tempo integral, busca ativa e envolvimento das famílias. Em 2025, duas escolas municipais se destacaram nacionalmente ao receber o Prêmio MEC da Educação Brasileira: a Escola Municipal José Carlos Martins Mestrinho e a Professora Francisca Pereira, que elevou seu desempenho de 5,4 para 6,9 no Saeb.
Essa evolução, no entanto, exige continuidade. Para a palestrante Vanessa Miglioranza, o ponto central está no professor:
“Quando apoiamos o professor em sala de aula, toda a rede se fortalece. A melhoria do Ideb passa, necessariamente, pelo fortalecimento da prática docente.”

Palestra sobre a “Aplicação de Simulados Digitais da Prova Saeb na Secretaria de Educação de Itacoatiara”
A integração entre universidade e rede básica também foi ressaltada. O reitor da Ufam, Sylvio Puga, destacou que “a universidade tem responsabilidade social e deve estar próxima das escolas, compartilhando conhecimento e construindo soluções conjuntas.”
O especialista em gestão educacional Leandro Wendel reforçou a importância do uso inteligente dos dados: “Os números do Ideb são um diagnóstico. Cabe a nós transformá-los em plano de ação concreto.”

Palestra “Design Colaborativo, Gestão Escolar e Tecnologias Educacionais”

Palestra “Panorama do Ideb no Estado do Amazonas e os Impactos no IDH”
Na mesma linha, o subsecretário da Semed Manaus, Arone Bentes, lembrou que o desafio é também administrativo: “Não basta ter bons programas. É preciso garantir acompanhamento e resultados efetivos.”
A experiência de outros municípios também trouxe inspiração. O secretário de Educação de Manacapuru, Adanor Porto, relatou que “quando colocamos a educação como prioridade da gestão, conseguimos mobilizar toda a cidade em torno do aprendizado das crianças.”
O principal palestrante do dia, Celso Tatizana, defendeu a integração entre tecnologia e gestão pedagógica:
“Tecnologia e gestão precisam caminhar juntas. Só assim conseguiremos sustentar os avanços e garantir que o Ideb seja reflexo de aprendizagem real.”

Palestra “Melhoria do IDEB com a Utilização de Tecnologias Educacionais”
A palestrante sergipana Fernanda Fontes compartilhou experiências de seu estado, reforçando que “é possível avançar, mesmo em cenários adversos, quando há foco na aprendizagem e colaboração entre redes.”
Também participaram do encontro nomes como Cesar Montes, presidente da FUNDACEM, que lembrou que “o compromisso com o Ideb não é apenas pedagógico, é também social e político. Precisamos unir esforços para mudar a realidade das nossas escolas”, e o palestrante Eduardo Giraldez, que destacou que “inovar na educação é mais do que usar tecnologia: é colocar o aluno no centro e criar condições reais para que aprenda com qualidade.”

Palestra “Os Resultados Educacionais e a Evolução dos Recursos VAAR e ICMS Social Destinados aos Municípios da Região Norte”

Palestra “Aplicações Práticas e Casos de Uso da Inteligência Artificial na Educação”
No panorama estadual, o Amazonas alcançou 5,7 pontos nos anos iniciais, 4,8 nos anos finais e 3,8 no ensino médio no último Ideb. Embora o desempenho do ensino médio ainda seja um desafio, o estado cumpre as metas e se posiciona acima da média da região Norte, que em 2023 registrou 5,8, 4,7 e 4,1, respectivamente.
Para os participantes, o encontro em Manaus serviu como preparação para que a região continue se destacando no cenário nacional, inclusive, de acordo com o organizador do evento, professor Edimilson Bruno, o fórum representa um marco de articulação: “Este fórum nasceu da necessidade de trocar experiências. Nosso desafio é transformar boas práticas em políticas permanentes.”
Mais do que apresentar números, o Fórum de Melhoria do Ideb mostrou que os avanços dependem da soma de esforços entre escolas, universidades, gestores públicos e sociedade civil. Como ressaltou Fernando Moreira Jr. (MRK), trata-se de garantir que cada indicador expresse uma transformação real na vida de milhares de estudantes da Amazônia.






Outro ponto importante durante o evento foi o lançamento da plataforma de cursos profissionalizantes da Faculdade Impacta, em Manaus, através de uma parceria com a Fundação Muraki. Clique na imagem e conheça mais:
