A economia digital avança a passos largos, impulsionada por soluções criativas e tecnológicas que nascem, em sua maioria, dentro do ecossistema de startups. Esse ambiente, que há anos vem se consolidando nos grandes centros urbanos, começa a ganhar protagonismo também em regiões como a Amazônia — com um olhar atento para a sustentabilidade, a bioeconomia e o desenvolvimento humano.

Mais do que uma tendência, startups são hoje agentes de transformação econômica e social, especialmente em mercados emergentes. Elas nascem para resolver problemas reais, com agilidade, inovação e uma visão de mundo conectada às necessidades do presente.

Manaus e o Amazonas: onde a inovação pulsa na floresta

A capital amazonense tem dado passos firmes na estruturação de um ecossistema voltado para o empreendedorismo inovador. Ao longo dos últimos anos, iniciativas públicas, privadas e sociais se uniram em torno de um objetivo comum: descentralizar o desenvolvimento tecnológico e gerar oportunidades na Amazônia.

Entre os atores que se destacam estão:

  • Manaus Tech Hub, um dos polos mais dinâmicos da região, premiado como o ecossistema mais ativo do Amazonas no ranking da 100 Open Startups;
  • Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia, com atuação em pesquisa aplicada, inteligência artificial, realidade virtual e testes homologados para grandes empresas;
  • Softex Amazônia, que lidera programas como o Conecta+Amazônia e Tech+Amazônia, voltados à formação, fomento e internacionalização de startups amazônicas;
  • Fundação Matias Machline e CETAM, com papel fundamental na formação de talentos locais em áreas estratégicas como tecnologia, engenharia e inovação.

Esse cenário mostra que Manaus não está apenas acompanhando a transformação digital — está participando ativamente dela. E mais: com uma identidade própria, onde tecnologia e floresta caminham lado a lado.

Startups manauaras que inspiram

A inovação na Amazônia já tem nome e rosto. Exemplos como a ForestFi, que tokeniza ativos da biodiversidade como castanha-do-pará e guaraná, demonstram o potencial de negócios com impacto ambiental e social.

Outras iniciativas relevantes incluem:

  • Descarte Correto, que alia gestão de resíduos eletrônicos à inclusão digital;
  • Broto Tecnologia Agrícola, voltada para automação e eficiência no campo;
  • Awty, startup que desenvolve embarcações para limpeza de rios e recuperação de ambientes aquáticos.

Esses projetos mostram como é possível empreender com impacto a partir da região Norte, conectando a inovação ao território.


O papel da Fundação: fomentar, conectar, transformar

A Fundação entende que fomentar o empreendedorismo inovador é parte do seu compromisso institucional com o desenvolvimento humano, econômico e ambiental da Amazônia. Por isso, acompanha de perto iniciativas que possam ampliar as oportunidades para talentos locais — em especial, jovens que desejam empreender com propósito.

Apoiamos e incentivamos ações que fortaleçam o ecossistema local e conectem nossas soluções a experiências de alcance nacional e internacional. A inovação, para nós, é meio e também fim: um caminho de transformação com raízes fincadas na realidade amazônica.

Oportunidade em pauta: Bring Your SaaS – Powered by AI

Uma dessas conexões possíveis é com o desafio Bring Your SaaS, promovido pela Meta Ventures. A iniciativa está com inscrições abertas para startups B2B ou B2B2C que atuem no modelo SaaS (software como serviço), com foco em escalabilidade e inovação.

Essa 5ª edição tem um diferencial: todo o processo de seleção será conduzido por inteligência artificial. Startups selecionadas poderão receber até R$ 1,5 milhão em investimento, além de mentoria e networking.

Saiba mais: meta.com.br/bring-your-saas

Exemplo de pitch: Slice no Bring Your SaaS – Pitch Day


E por que não participar?

Se você está empreendendo na Amazônia com soluções escaláveis e base tecnológica, considere participar de programas como esse. Eles podem representar não apenas recursos financeiros, mas visibilidade, conexões estratégicas e o fortalecimento do ecossistema local.

Mais do que competir, trata-se de colocar Manaus no mapa global da inovação — com soluções que refletem o jeito único de pensar, criar e empreender na Amazônia.

Caminhos, desafios e transformações na educação dos jovens amazonenses

O cenário do empreendedorismo entre os jovens do Amazonas está ganhando novos contornos. Em um estado marcado por contrastes sociais e desafios de infraestrutura, iniciativas voltadas ao empreendedorismo digital vêm oferecendo caminhos alternativos de futuro para milhares de jovens — especialmente os das periferias urbanas e comunidades ribeirinhas.

Com a recente aprovação de um projeto de lei na Assembleia Legislativa que visa fomentar o empreendedorismo digital entre jovens de 18 a 29 anos, o debate em torno do papel da juventude na transformação econômica da região se intensifica. A proposta prevê medidas como a criação de incubadoras digitais, acesso facilitado a crédito e cursos gratuitos em inovação, tecnologia e gestão. Trata-se de um passo importante — não por sua autoria política, mas por aquilo que representa: um reconhecimento institucional da potência criativa e transformadora da juventude amazônica.

Educação que forma, inspira e transforma

O olhar sobre o empreendedorismo também está mudando nas escolas e centros de formação técnica. A educação tradicional, baseada unicamente na preparação para o mercado de trabalho formal, começa a abrir espaço para uma pedagogia voltada à criação de soluções, ao uso consciente da tecnologia e ao estímulo à autonomia.

Instituições como o CETAM e a Fundação Matias Machline têm sido protagonistas nesse processo, oferecendo cursos técnicos e gratuitos com foco em áreas como informática, robótica, marketing digital e mecatrônica. Além disso, programas como o Desafio Liga Jovem, do Sebrae-AM, vêm incentivando estudantes a desenvolver ideias de impacto com viés social e tecnológico.

Ecossistema em construção

Embora distante dos grandes centros de inovação do país, o Amazonas começa a consolidar um ecossistema local de empreendedorismo digital. Iniciativas como o Samsung Ocean Manaus, o instituto Sidia e o programa Conect.AI têm promovido eventos, hackathons e mentorias com foco em jovens talentos da região. O objetivo é conectar educação, mercado e tecnologia de forma sustentável.

Casos como o de Netto Santos, jovem empreendedor de Manaus que criou a plataforma “Tchibum na Amazônia” para fomentar o turismo de base comunitária com uso de tecnologia, são exemplo vivo de como a juventude pode ser protagonista da mudança — aliando cultura local, inovação e impacto social.

Os desafios seguem presentes

Apesar dos avanços, os obstáculos são muitos. O acesso à internet de qualidade, a limitação de crédito, a falta de redes de apoio e a baixa cultura empreendedora ainda impedem que milhares de jovens consigam tirar suas ideias do papel. A concentração de recursos em regiões centrais de Manaus e a dificuldade de interiorização das políticas públicas também são gargalos importantes.

Além disso, o empreendedorismo, quando mal interpretado, pode ser vendido como uma “solução mágica” para problemas estruturais como o desemprego juvenil. Por isso, é essencial que as políticas de incentivo venham acompanhadas de formação crítica, apoio contínuo e protagonismo juvenil real.

Para onde estamos indo?

O surgimento de políticas específicas para o empreendedorismo jovem no digital aponta para uma virada no modelo de desenvolvimento regional: mais participativo, mais criativo e menos dependente de grandes indústrias.

A Fundação Muraki acredita que a transformação da Amazônia passa pela formação integral de seus jovens. O empreendedorismo digital, quando bem orientado, pode ser uma poderosa ferramenta de emancipação — pessoal, econômica e comunitária.

Afinal, quem melhor para pensar o futuro da floresta do que aqueles que a vivem todos os dias?